O aborto é uma dor narcísica irreparável?

Teresa Cristina G. Freire, Daniela S. Chatelard

Resumo


O artigo nasce de uma experiência de atendimento psicanalítico em grupo com grávidas que realizam pré-natal no HUB, Hospital Universitário de Brasília, por 18 meses totalizando 53 atendimentos. A escuta objetiva oportunizar, a partir da fala, um reposicionamento subjetivo. O texto gira em torno de alguns conceitos psicanalíticos como narcisismo, ambivalência, investimento no objeto, luto, melancolia e angústia, correlacionando-os com a gravidez e o aborto. O artigo narra algumas experiências de grávidas que, no passado, vivenciaram a dor narcísica do aborto e discute como a grávida pode superar o luto e tonar-se apta a investir em uma nova gravidez. Como investir num filho que remete aos abortos anteriores, que significam a impotência e o fracasso destas mulheres? Como ajudá-la a sonhar, a conceber uma representação deste filho para dar a ele a oportunidade de viver? Como ajudá-la a sustentar este desejo essencial? Os atendimentos pretendem ajudá-las a sonhar, a conceber uma representação do filho e a sustentar este desejo essencial de vida. Diversos casos clínicos são apresentados, contemplando mulheres em diversas fases da gestação. Cada uma delas descreve como enfrenta a possibilidade do aborto. Este artigo investiga a relação da grávida, em repetido risco de aborto, com o seu bebê. É possível a mulher superar a dor do aborto e tornar-se apta a investir em uma nova gravidez que chegue a termo? Palavras-chave: Gravidez, aborto, narcisismo, luto, ambivalência.

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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