O Nome de Flechsig e os Patronímicos no Delírio de Schreber

Fabiano Chagas Rabêlo

Resumo


O objetivo deste trabalho é discutir o modo singular como Schreber transmuta o nome de Flechsig e o transforma no esteio de seu sistema delirante. Logo no início de suas memórias, na carta aberta a Flechsig, Schreber diz que o nome de seu ex-médico exerceu grande influência no desenvolvimento de seu delírio, inclusive citando-o por extenso. No entanto, esse nome, tal qual é transcrito, destoa do verdadeiro nome de Flechsig. Trata-se do nome de um antepassado de Flechsig. Os prenomes e sobrenomes desse antepassado, agregados ao nome de Flechsig, quando analisados à luz de seu delírio, revelam a mobilização dos significantes patronímicos das gerações anteriores da família Schreber em sua literalidade. A partir da análise dessa questão, tecemos algumas considerações sobre a articulação na psicose entre fenômeno e estrutura. Valorizamos na nossa discussão a tese de Lacan segundo a qual são necessárias várias gerações para a produção de uma psicose. Em seguida, relacionamos a imissão dos significantes patronímicos da família Schreber no nome de Flechsig, ao que Freud denominou de compulsão à projeção e ao conceito lacaniano de foraclusão. Por fim, faremos algumas considerações acerca da direção do tratamento na psicose. Este trabalho constitui, portanto, um esforço de articular estrutura e fenômeno na psicose, a partir do comentário das Memórias de Schreber.

Palavras-chave


foraclusão; delírio; alucinação; psicose; patronímico.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/23590777.14.3.499-509

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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