O Ego Particular de Joyce: Da Experiência Epifânica ao Sinthoma

Ricardo Monteiro Guedes de Almeida

Resumo


Entre todas as adversidades presentes nas instituições de saúde mental, o desafio de conceber uma clínica em que verdadeiramente um caso seja tratado como um caso único tem se revelado como uma das mais complexas e urgentes. Para além das formalizações e dos tratamentos tradicionais, os sujeitos diante do adoecimento, ou diante de suas falhas estruturais, têm apresentado soluções que desafiam a nossa compreensão do tratamento, reforçando assim a necessidade de produzir um saber em torno desta questão. A partir do estudo do ensino de Jacques Lacan sobre o sinthoma joyciano, pretendemos, neste artigo, realizar um percurso teórico que consistirá na passagem do sintoma epifania ao sinthoma escritura. Não temos como finalidade uma reflexão literária da obra do escritor irlandês James Joyce. Apesar de abordarmos a sua escrita, com seus enigmas e suas inusitadas epifanias, nosso foco continuará sendo a sua solução como exemplo de escritura que faz nó borromeano. Enfim, nosso objetivo é trazer à discussão a contribuição que o sinthoma joyciano representa para a clínica, no que diz respeito à solução singular que o sujeito psicótico pode vir apresentar diante daquilo que Lacan definiu como forclusão do Nome-do-Pai. Nessa direção, chegamos à conclusão de que este sinthoma representa uma solução de sua falha paterna, uma suplência singular de sua forclusão de fato em um período anterior ao próprio desencadeamento psicótico. Acreditamos que este saber teórico representa uma oportunidade de reflexão sobre a ampliação dos limites de uma prática clínica, pois trás ao debate a diversidade de soluções que o sujeito pode apresentar diante de sua falha estrutural.

Palavras-chave


psicanálise; joyce; sinthoma; lacan; nó borromeano.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/23590777.15.1.24-36

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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