O desespero contemporâneo em Extensão do domínio da luta, de Michel Houellebecq

Gislene Maria Barral Lima Felipe da Silva

Resumo


Na sociedade contemporânea, dominada pelo dinheiro e pela erotização desenfreada, as relações humanas caminham rumo ao aniquilamento. O atual estágio de evolução do sistema capitalista caracteriza-se por uma substituição das mercadorias pelas imagens como mediadoras das relações humanas, e o espetáculo tornou-se a forma mais desenvolvida de relação entre as pessoas. Nos espaços sociais, os indivíduos confundem-se em multidões amorfas, sem rostos e sentimentos, incapazes de resistir às imposições e apelos do esquema da indústria cultural, que os reduz a consumidores de artefatos e imagens, incessantemente produzidos. Nesse contexto escatológico é que se move o narrador do romance Extensão do domínio da luta, do escritor francês Michel Houellebecq, obra que ele próprio classifica como um romance da aprendizagem do desgosto, no qual expõe seu desencanto com a humanidade e o desespero em relação à própria vida. Em um mundo que promove a massificação do indivíduo, a escrita literária vem representar um espaço privilegiado de manifestação da subjetividade, conforme se observa na obra em análise. Nela, o narrador dá sua resposta, a partir da condição de massacrado pelas dinâmicas desse mundo, a uma sociedade homogeneizada: na ficção, o indivíduo reina livre e solitário, mas triunfante e concentrado na experiência do existir. Baseada no caos e na barbárie da vida contemporânea, a linguagem da obra assume a crueza de seu conteúdo, sintetizado no desencanto com um cotidiano altamente regrado, previsível e normatizado em todos os seus aspectos. O texto literário constrói, enfim, uma severa crítica ao “progresso” tecnológico e à informatização do cotidiano, que trazem em si uma acentuada pobreza existencial, com a reificação do homem e a fossilização das relações humanas, e acabam por levar o narrador da obra a uma situação de tensão e desespero.

Palavras-chave


literatura francesa, desespero, contemporaneidade, mal-estar, subjetividade

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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