Neopentecostalismo: desamparo e condição masoquista

João Luiz Leitão Paravidini, Márcio Antônio Gonçalves

Resumo


Este artigo, tendo em vista as transformações ocorridas na hipermodernidade, analisa o neopentecostalismo enquanto um fenômeno religioso promotor de uma lógica que estabelece a articulação do desamparo com a condição masoquista. O neopentecostalismo é delimitado tendo em vista suas características principais, a saber, a Teologia do Domínio, em sua articulação de um cenário de permanente guerra espiritual entre Deus e o Diabo, a Teologia da Prosperidade, a superação dos estereotipados usos e costumes de santidade e sua organização empresarial. Em sua antropologia, as igrejas neopentecostais sustentam a ideia de que o sujeito pode gozar da experiência da absoluta realização e felicidade, desde que viva uma aliança societária com o próprio Deus. Vivendo em estreita aliança com Deus, o fiel poderia se tornar ilimitado na realização de suas aspirações. No entanto, os discursos religiosos neopentecostais, dado a prevalência do mal-estar subjetivo do fiel, são confrontados com a antropologia psicanalítica a partir da ideia do desamparo estrutural do sujeito. Na tentativa de estabelecer o desmentido do desamparo humano, o neopentecostalismo pode ser evidenciado pela promoção de práticas de servidão ou assujeitamento ao outro. Em busca da superação das marcas de sua condição faltante, o fiel se cola ao outro em suas práticas de servidão voluntária e devotamento. O assujeitamento é o preço pago pelo masoquista que aspira por segurança.

Palavras-chave


neopentecostalismo, desamparo, masoquismo, assujeitamento, hipermodernidade

Texto completo:

PDF

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM




Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia