O temor na tragédia

Cristia Rosineiri Gonçalves Lopes Corrêa

Resumo


O presente artigo argumenta que uma característica essencial da tragédia a despeito de seus desvios e retomadas no tempo, podemos encontrar a partir do enfoque psicanalítico, que, com Jacques Lacan, reivindica que no cerne do espírito trágico se encontra a veiculação da verdade do desejo do sujeito que se revela na tragédia em seu caráter puro, purificado de toda ordem imaginária, por intermédio da purgação das paixões do temor e da piedade de que nos fala Aristóteles. Investiga no que viria a consistir a purificação do temor na tragédia. Para essa abordagem, trabalha com a tragédia Antígona de Sófocles, por ser no comentário dessa peça, no seu seminário de 1959-60, A Ética da Psicanálise, que podemos encontrar uma significativa abordagem da problemática do temor nessa tragédia, feita por Lacan. Verifica que no seu seminário sobre As psicoses, alguns anos antes de seu comentário sobre Antígona, Lacan nos deixa de legado outro elemento significativo para a maior precisão do que viria a ser o temor na tragédia de Antígona, no ponto em que ele nos fala sobre a coragem e o temor, a partir da tragédia Atália de Jean Racine. Nessa direção, o artigo aborda a referida tragédia, mesmo sem a mesma dimensão da abordagem da tragédia de Antígona, por essa última ser o fio condutor desse artigo. O artigo argumenta que a abordagem do temor em Antígona deve ser pensada a partir da abordagem do temor em Atália e verifica, nessa direção, a importância da noção de autoridade nessa problemática.

Palavras-chave


Temor. Lei. Castração. Desejo. Lacan.

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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