Curar a Homossexualidade? A psicopatologia prática do DSM no Brasil

Christian Ingo Lenz Dunker, Fuad Kyrillos Neto

Resumo


Discutiremos a forma com que a absorção das categorias presentes no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders - DSM influencia as práticas psicoterápicas. Para tanto, mencionaremos o caso da punição de uma psicóloga pelo CFP - Conselho Federal de Psicologia - que oferecia aos seus pacientes um tratamento que supostamente curava a homossexualidade. Abordaremos esse evento a partir de duas perspectivas. Adotando a premissa de que a saúde mental é um microcosmo de nosso país e de que a absorção de sistemas diagnósticos, como qualquer forma de tecnologia, implica um processo de assimilação cultural. Pretendemos comparar aspectos do que chamamos psicopatologia prática, inspirada no DSM, no sistema de saúde mental americano (no qual se originou) e no contexto brasileiro da reforma antimanicomial. A segunda perspectiva pretende examinar a forma como o DSM se posiciona no vasto campo da psicopatologia, mais especificamente quanto a questões atinentes à sexualidade, no contexto dessa psicopatologia prática. Concluímos que apesar de o DSM negar que existem instâncias transcendentes as quais se pode recorrer no que diz respeito aos fenômenos ligados ao sofrimento dos sujeitos, em acordo com sua proposta convencionalista e nominalista, as classificações científicas que este instrumento expressa mostram grande fragilidade no que tange a questões de poder, particularmente no entendimento das relações entre gênero, e da sexualidade em sua relação com a formação de sintomas.

Palavras-chave


Homossexualidade. DSM. Psicopatologia. Psicanálise. Clínica.

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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