Dor física crônica: uma estratégia de sobrevivência psíquica?

Marta Rezende Cardoso, Patrícia Paraboni

Resumo


Neste artigo temos o objetivo de investigar a problemática da dor física a partir de um enfoque psicanalítico. Os casos de dor crônica sem comprometimento orgânico (no sentido etiológico) demandam análise sobre os seus fundamentos psíquicos. Nossa atenção se dirige, principalmente, à questão da origem dessa dor: seria ela de ordem psicogênica? A dor física, quando intensa e repetitiva – caracterizando um fenômeno de dor crônica – sinaliza a não integração entre os registros do corpo e do psiquismo. Isso se deve à ruptura no sentimento de continuidade do eu, ocasionada por fatores traumáticos, implicando, dentre outros aspectos, uma falha no sistema de para excitação. Diante da efração no eu, as fronteiras entre corpo e psiquismo tornam-se esmaecidas, possibilitando que o psiquismo regressivamente recorra ao corpo – mais especificamente, ao eucorporal – como medida defensiva contra a dor psíquica. A energia pulsional é justamente transferida para o registro corporal como último recurso para conter o transbordamento de excitações no psiquismo. Porém, o apelo ao corpo funciona aqui como uma espécie de “prótese” que, paradoxalmente, vem assegurar a sobrevivência psíquica. Buscamos igualmente mostrar como a dimensão da queixa possui especial relevância nos casos de dor física crônica. Constatamos que quando o sujeito se queixa, ele o faz para alguém. Ao explorarmos este aspecto, tão significativo na clínica do paciente doloroso crônico, somos levados a destacar o papel que a relação eu/outro teria nessa patologia.

Palavras-chave


Dor. Trauma. Corpo. Queixa. Psicanálise

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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