O Real é Morto: Baudrillard e Lacan, dissidentes da comunicação

Ondina Pena Pereira, Verônica Martinelli

Resumo


Trata-se, neste artigo, de apresentar um debate entre duas pesquisadoras que trabalham, uma com Baudrillard e outra com Lacan, para uma simultânea aproximação e distinção da teoria destes autores. A obra de ambos não é de fácil compreensão, mas compreendemos que seu caráter obscuro é intencional: tem o objetivo de exigir dos leitores o esforço de abrir mão de seus modos habituais, naturalizados e, portanto, seguros, de entrada em certo universo de problemas em busca dos sentidos explícitos que o texto comunica, por meio de códigos culturais já estabelecidos. Essa exigência, per si, justifica a aproximação dos autores e, na proximidade, põe em evidência o fato de não serem construções teóricas inassimiláveis, mas desconstruções de um grande texto cultural, que trazem à tona aquilo que tem se mostrado inassimilável pela cultura. Tratando-se de obras vastas, foi necessário promover certo recorte no qual elegemos três pontos centrais e intrinsecamente articulados: o resto, o morto e o Real. Quanto à forma do artigo, com o objetivo de não tamponar as perspectivas particulares dos autores, misturando suas posições, optamos pela recuperação de um estilo deixado em segundo plano na produção acadêmica: o diálogo. Já que Lacan e Baudrillard não tiveram a oportunidade de discutir entre si as questões abordadas, o viável agora é promover o (des)encontro entre seus textos. O diálogo aqui apresentado foi, desde o início, elaboração escrita. Mediante a troca de fragmentos, visou-se, de princípio, estruturar um artigo, em um processo que pretende evidenciar o fato de que o interlocutor, tal como o compreende Bakhtin, faz parte da própria criação narrativa, isto é, escreve-se sempre em meio a um debate com o outro.

Palavras-chave


Baudrillard. Lacan. Real. Simbólico. Mundo contemporâneo.

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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