O Sujeito em Constituição, o Brincar e a Problemática do Desejo na Modernidade

Tanja Joy Schöner Lopes, Leda Mariza Fischer Bernardino

Resumo


Este artigo discute o uso dos brinquedos na atualidade, contrapondo-o ao papel do brinquedo na organização subjetiva da criança. Para tal, aborda-se o processo de constituição subjetiva, as diferentes operações psíquicas envolvidas e a função do objeto na infância. Numa época em que o “ter” se tornou insígnia do “ser”, rege uma tentativa de encontrar nos objetos a capacidade de apaziguar nossas inquietações, nosso “mal-estar” diante da falta, que Freud já descrevia como inerente à civilização. Trata-se de uma tentativa fracassada de encontrar a felicidade de completude no excesso de objetos, inclusive nos brinquedos, pois o que nos causa enquanto sujeitos, desperta nosso desejo, é a falta de objeto. Somente se pode desejar aquilo que não se tem. O motor psíquico é a falta de objeto, que funda a ética subjetiva, a ética do desejo. Mas parece que hoje prevalece uma falha no luto do objeto, há uma angústia do vazio, uma prevalência de uma posição imaginária que dificulta o deparar-se com a falta e consequentemente com o desejo. Pode-se concluir que a questão propriamente humana não gira em torno da relação de objeto em si, mas da problemática do desejo, que se compõe como enigma para cada um e não se satisfaz com objetos. Desejo que tem o campo regulado pela fantasia, cujo fracasso da função é característico no universo das crianças de hoje, pleno de brinquedos, mas pobre em experiências no brincar.

Palavras-chave


constituição do sujeito; brincar; desejo; modernidade; pulsão.

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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