Enfim Sós: Um Estudo Psicanalítico do Divórcio

Viviana Carola Velasco Martínez, Aline Spaciari Matioli

Resumo


O presente artigo tem como objetivo lançar um olhar psicanalítico sobre o processo de divórcio. Como qualquer separação, o divórcio é um evento traumático para a família, pois, além de ser capaz de reeditar situações traumáticas vividas em tempos precoces, expõe o ex-casal a um sem-número de perdas significativas e geradoras de intenso movimento pulsional. Uma delas interessa a este estudo em particular. Trata-se da perda das ligações estabelecidas em torno da sexualidade infantil do casal, isto é, dos acordos, da cumplicidade, da intimidade que organiza essa sexualidade e a satisfaz. Analisou-se o transbordamento dessa sexualidade polimórfico-perversa quando da ruptura do laço conjugal, que, transformada em excesso, se traduz em sofrimento psíquico na forma de sintomas e atuações, inclusive para os filhos. É quando o divórcio pode se tornar interminável e a antiga relação afetuosa do casal passa a ser substituída, por exemplo, por uma relação sádico-erótica, cujo objetivo principal é manter a união a qualquer custo, nem que, para isso, se adotem as vias menos elaboradas, como chantagens emocionais, brigas na justiça, ciúmes etc. Nessas circunstâncias, não somente o ex-casal, mas também os filhos são convocados a dar conta desse excesso pulsional, que se apresenta como um enigma que demanda um desvendamento e uma nova organização do sexual. Para essa discussão, recorreu-se à teoria da sedução generalizada de Jean Laplanche.

Palavras-chave


Divórcio, psicanálise, teoria da sedução generalizada, sexualidade infantil, situação antropológica fundamental.

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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