Passagem ao Ato Sexual Violenta: Defesa Radical Frente à Passividade?

André Luiz Alexandre do Vale, Marta Rezende Cardoso

Resumo


Este artigo é dedicado à análise do funcionamento psíquico dos sujeitos que recorrem à passagem ao ato, de natureza sexual e violenta. Nessa análise, privilegiamos alguns conceitos fundamentais da teoria psicanalítica, em particular, os de trauma, passividade e desamparo, tendo em vista a estreita articulação entre eles. Apoiandonos nessa elaboração teórica, sustentaremos a hipótese de que certos homens, incapazes de dominar o excesso pulsional, acabam por descarregá-lo através da convocação do corpo e do apelo ao ato, evidenciando, dessa forma, significativa fragilidade dos processos de subjetivação presentes no arcabouço de seu psiquismo. O psiquismo desses sujeitos parece estar marcado por uma constante exigência de virilidade, portanto, eles se veem convocados a agir frente ao malestar psíquico que os acomete quando se deparam com a ameaça da tão repudiada e temida feminilidade/passividade. Tal ameaça adquire contornos “demoníacos” – de “passivação” mortífera –, frente aos quais só parece restar o recurso à atuação violenta, muitas vezes sob a forma de agressão sexual. Como procuraremos mostrar, o ato de violência sexual evidencia a existência de graves problemas no plano da constituição psíquica desses sujeitos, no sentido de o ego sofrer ameaça de desintegração, de perda da sua unidade. Esse tipo de estratégia defensiva, de apelo ao ato de violência, funciona como tentativa extrema de reafirmação da onipotência narcísica.

Palavras-chave


Violência sexual, Trauma, Desamparo, Passividade, Feminino.

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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