Entremeando Saúde e Doença: A Condição de Soropositividade para o HIV no Contexto de Culto à Vida Saudável

Camila Miranda de Amorim Resende, Ana Maria Szapiro

Resumo


A partir de um trabalho de análise dos discursos de cinco adolescentes soropositivas por transmissão vertical para o HIV/ Aids atendidas em uma unidade de saúde de um município do Rio de Janeiro, interrogamos o ideal contemporâneo de viver uma vida saudável. Essa condição aponta para um processo de subjetivação bastante complexo, na medida em que o vírus HIV foi transmitido pelos pais. Por um lado, essa situação não pode ser considerada consequência de uma escolha individual quanto a comportamentos de risco – como habitualmente se atribui à maior parte dos casos de transmissão do vírus HIV. Por outro lado, exige do sujeito um trabalho de gestão de um viver saudável bastante difícil, pois implica no cuidado permanente com a própria saúde e recomendações com a saúde dos outros, no sentido de não transmissão do vírus HIV. Diante dessa necessidade de gestão dos riscos potencializada, as pessoas nessa condição de soropositividade se veem marcadas por um dispositivo de normalização intenso, submetidas que são, desde o nascimento, às regras do bem viver segundo as prescrições do discurso da prevenção. Pensamos que a peculiaridade da condição de soropositividade para o HIV por transmissão vertical abre a possibilidade de interrogarmos sobre o que significa, hoje, a oposição entre saúde e doença, que, nesse caso, reclama um estatuto “entre”, entremeando saúde e doença.

Palavras-chave


HIV, Adolescentes, Risco, Vulnerabilidade, Contemporaneidade.

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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