Representações Sociais do Trabalho Informal para Trabalhadores por Conta Própria

Autores

  • Tatiana de Lucena Torres Universidade Federal da Paraíba
  • Pedro F. Bendassolli Universidade Federal do Rio Grande do Norte http://orcid.org/0000-0002-7761-0857
  • Fellipe Coelho Lima Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • Daniele de Souza Paulino Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • Ana Paula Freitas Fernandes Universidade Federal do Rio Grande do Norte

DOI:

https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v18i3.7453

Palavras-chave:

representação social, trabalho informal, psicologia do trabalho.

Resumo

Estima-se que um terço da população brasileira desempenha atividades informais. Essa modalidade de trabalho envolve questões psicossociais e ideológicas específicas, como também representações sociais. O presente estudo objetiva caracterizar as representações sociais do trabalho informal para trabalhadores que estão inseridos nesse tipo de atividade, além de suas práticas sociais e identitárias, considerando a perspectiva da Teoria das Representações Sociais (TRS). O estudo foi exploratório e descritivo, circunscrito na abordagem qualitativa, com a participação de dez trabalhadores, os quais foram entrevistados de forma não diretiva. As narrativas foram analisadas com auxílio do IRAMUTEQ, um software de análise textual. Foi possível identificar três diferentes eixos representacionais: (a) história de vida e laboral, (b) intergeracionalidade da informalidade e (c) liberdade e precariedade do trabalho. As representações sociais do trabalho informal apresentam perspectiva hegemônica, mas também traduzem a atividade de trabalho como algo do humano, que identifica os trabalhadores, e que é insubstituível.

Biografia do Autor

Tatiana de Lucena Torres, Universidade Federal da Paraíba

Psicóloga com pós-graduação (mestrado e doutorado) em psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina e pós-doutorado (bolsa PNPD/Capes) no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social na Universidade Federal da Paraíba. É professora adjunta no curso de psicologia da Universidade Federal da Paraíba e membro do Programa de pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Atualmente leciona e desenvolve estudos na área de psicologia social do trabalho, com temas voltados para representações sociais, trabalho informal, aposentadoria, idadismo no trabalho, trabalhadores mais velhos, relações intergeracionais laborais. É membro do Grupo de Pesquisa Subjetividade e Trabalho (GPST/UFPB), do Grupo de Estudos e Pesquisas em Trabalho (GEPET/UFRN), do Grupo Internacional de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento e Representações Sociais (GIEPERS) e da Rede Internacional de Pesquisas sobre Representações Sociais e Saúde (RIPRES).

Pedro F. Bendassolli, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Psicólogo (UNESP, 1995-1999, bolsista de iniciação científica da FAPESP). Doutor em Psicologia Social (USP, 2000-2006, bolsista FAPESP). Realizou estágios pós-doutorais na Université Paris IX (Centre de Recherche Management & Organisation, 2008-2009, bolsista da Fondation Maison des Sciences de l'Homme), no Instituto de Psicologia da UNB (PSTO, 2009-2012, bolsista de Pós-doutorado Júnior/CNPQ), e no Centre for Cultural Psychology (Aalborg University, Dinamarca, 2016-2017, Bolsista Estágio Sênior/CAPES). Atua na área da Psicologia do Trabalho e das Organizações, com experiência na investigação de constructos psicossociais relacionados ao trabalho, especificamente processos de significação, seus determinantes, dimensões e consequentes. Desenvolve suas pesquisas no Grupo de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho, coordenando a linha GPPOT (http://www.gppot.org). Mais informações: http://www.pedrobendassolli.com

Fellipe Coelho Lima, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, campus de Santa Cruz (FACISA). Possui graduação (2010), mestrado (2013) e doutorado (2016) em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. É membro do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Trabalho (GEPET/UFRN) e do Grupo de Pesquisas Marxismo & Educação (GPM&E/UFRN). Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia do Trabalho e das Organizações e Psicologia Social, atuando principalmente nos seguintes temas: ideologia no trabalho, sentido/significado do trabalho, informalidade, desemprego, políticas sociais, profissão e formação de psicólogo, teoria social marxista/marxiana.

Daniele de Souza Paulino, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Psicóloga na Secretaria Municipal do Trabalho e Assistência Social - SEMTAS/Núcleo de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto da cidade do Natal/RN. Mestre e doutoranda em Psicologia pela UFRN. Atua na área da Psicologia do Trabalho e das Organizações, especificamente com os temas: juventude, trabalho, processos de significação e orientação profissional. Desenvolve pesquisas no Grupo de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho (http://www.gepet.org/) e em seu subgrupo, Psicologia Social e Trabalho (http://www.gppot.org/).

Ana Paula Freitas Fernandes, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Graduanda em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte

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Publicado

26.02.2019

Como Citar

Torres, T. de L., Bendassolli, P. F., Lima, F. C., Paulino, D. de S., & Fernandes, A. P. F. (2019). Representações Sociais do Trabalho Informal para Trabalhadores por Conta Própria. Revista Subjetividades, 18(3), 26–38. https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v18i3.7453

Edição

Seção

Relatos de Pesquisa