O que Resta do Internamento: Loucura, Exclusão e Biopolítica em Michel Foucault e Giorgio Agamben

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i2.e10034

Palavras-chave:

biopoder, tanatopolítica, loucura, campos de concentração.

Resumo

O objetivo deste texto é problematizar o lugar destacado que o campo de concentração ocupa no pensamento do filósofo italiano Giorgio Agamben, especificamente nas primeiras obras da série Homo Sacer. Nesse sentido, retorna-se ao pensamento de Michel Foucault, nomeadamente em História da Loucura, identificando o Hospital Geral e o grande internamento à luz das noções de biopoder e poder soberano. Também analisamos como Agamben utiliza tais conceitos, questionando o espaço problemático que o filósofo italiano concede aos doentes mentais em O poder soberano e a vida nua, e as consequências de tal opção no restante do seu pensamento. Esperamos demonstrar que uma teoria sobre o biopoder e a tanatopolítica deve ter um escopo mais amplo, a fim de não omitir outras experiências do arbítrio.

Biografia do Autor

Felipe Dutra Demetri, Programa de Pós-Graduação em Psicologia - Universidade Federal de Santa Catarina.

Doutorando em Psicologia na área de Psicologia Social e Cultura pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Maria Juracy Filgueiras Toneli, Programa de Pós-Graduação em Psicologia - Universidade Federal de Santa Catarina.

Professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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Publicado

15.09.2021

Como Citar

Demetri, F. D., & Filgueiras Toneli, M. J. (2021). O que Resta do Internamento: Loucura, Exclusão e Biopolítica em Michel Foucault e Giorgio Agamben. Revista Subjetividades, 21(2), Publicado online: 15/09/2021. https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i2.e10034

Edição

Seção

Estudos Teóricos