A Subjetividade de uma Família atingida por Barragem na situação do Deslocamento Forçado

Jonas Carvalho e Silva, Júlia Sursis Nobre Ferro Bucher-Maluschke, Valéria Deusdará Mori

Resumo


Este estudo de caso teve por objetivo compreender a articulação entre a subjetividade individual e social dos membros de uma família atingida por barragem no contexto do deslocamento forçado. O referencial teórico do trabalho orientou-se pela teoria da subjetividade, desenvolvida por Fernando González-Rey em uma perspectiva cultural-histórica, e na teoria do apego ao lugar. Os participantes foram a mãe, o pai e a filha, removidos para um reassentamento rural no Tocantins em 2001. A partir da utilização da dinâmica conversacional, da entrevista semiestruturada, de um inventário sociodemográfico e da elaboração de um genograma familiar, foram levantados os eixos de análise, que apontaram características de liderança nos membros, impactos na dinâmica familiar e repercussões negativas no apego ao lugar. Sugere-se considerar, nas avaliações desse tipo de impacto, as dimensões da subjetividade individual e social da pessoa atingida por barragem.

Palavras-chave


migração; subjetividade; apego; atingidos por barragem.

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DOI: https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i1.e10597

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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