Figurações da Relação Mãe-Bebê nas Esculturas de Felícia Leirner: Um Olhar Winnicottiano

Carolina de Souza, Manoel Antônio dos Santos

Resumo


Nos estágios iniciais do desenvolvimento emocional, a mãe é capaz de alcançar um nível de sensibilidade tão aguçada que pode se adaptar às necessidades primárias do bebê. Esse estado materno especial muitas vezes serve de inspiração para a produção artística, quando a experiência estética do artista é posta a serviço de sua potência criativa que se consubstancia no ato criador. Partindo dessas premissas, o objetivo deste estudo é ilustrar as singularidades da relação mãe-bebê nos primórdios do desenvolvimento emocional por meio da leitura da obra de arte pelo vértice da teoria psicanalítica de Winnicott, considerando o lugar que a arte pode ter no viver humano. Foram escolhidas cinco esculturas da artista plástica Felícia Leirner para compor o corpus de análise. Essas obras de arte metaforizam o percurso de desenvolvimento da relação estabelecida entre mãe, pai e bebê na esteira do fluxo temporal que caracteriza os primeiros meses do desenvolvimento. Também identificamos nos objetos artísticos a relevância do ambiente na etapa inicial, como uma plataforma do crescimento emocional saudável ao longo da vida. Em vez de utilizar a compreensão psicanalítica para exegese da obra artística, propomos o movimento inverso, no qual é a obra que contribui para iluminar o pensamento psicanalítico, destacando nuanças que podem enriquecer a compreensão de um dos temas fundantes da teoria winnicottiana, o desenvolvimento emocional infantil, sugerindo novas possibilidades de aproximação entre a psicanálise e a arte.

Palavras-chave


relação mãe-bebê; maternidade; arte; criatividade; Winnicott.

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DOI: https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i2.e11411

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