Adolescentes Usuários de Drogas e a Desinserção Social

Monica Eulália da Silva Januzzi, Ilka Franco Ferrari

Resumo


O texto em questão buscou responder como as dificuldades de adesão ao tratamento, apresentadas por adolescentes usuários de drogas, podem beneficiar o trabalho realizado nos Centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenill (CAPSi) do estado de Minas Gerais. Nele se destaca, entre outras, a dificuldade que se chamou de desinserção social. O campo teórico/prático da psicanálise orientou o trabalho através do método do caso único, que permite resultados universalizados respeitando as singularidades, isto é, um universal alcançado a partir do singular. Fragmentos das entrevistas semiestruturadas realizadas com os cinco jovens estudados, indicados pelas equipes dos serviços por serem considerados paradigmáticos daqueles que apresentavam dificuldades de adesão, e com os profissionais que os acompanharam são utilizados para subsidiar as considerações apresentadas, considerando a cartografia própria da vida dos sujeitos implicados no processo. Constatou-se que os efeitos das destituições simbólicas do Outro, no contemporâneo, têm favorecido a instauração de modos subjetivos de desconexão social, a exemplo da toxicomania, e que o modo como a desinserção aparece, na singularidade de cada caso, no contexto da adolescência, indica a presença de um sintoma social da época. A descrença dos jovens na relação com o Outro Social aparece em suas relações com o CAPSi, um Outro Institucional. Mas, quando esse Outro se faz exceção e se apresenta como lugar de cuidado, de presença e interesse pelo sujeito, mudanças ocorrem entre a desinserção e a inserção possível, levando o sujeito a encontrar um lugar no Outro, não se apagando no coletivo da política pública.

Palavras-chave


adolescência; desinserção; drogas; psicanálise.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/23590777.rs.v19i3.e8481

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