Trauma e Arte: Do Vazio à Elaboração de Sentido

Esperidião Barbosa Neto

Resumo


Trauma e arte, “um feito para o outro”. O primeiro, inicialmente humaniza e, depois, impele o sujeito à criatividade; o outro tenta representar o indizível da experiência traumática. A arte situa-se no campo da palavra, que constitui o sujeito e o reconstitui, possibilitando a ressignificação dos efeitos do trauma. A experiência clínica psicanalítica, aliada à observação do ato criativo de notáveis autores e de pessoas comuns, demonstra essa condição do humano. É preciso fazer do caos algum sentido e da vida, arte. Este artigo é fundamentado na teoria psicanalítica e seu objetivo é articular o trauma à arte. O primeiro, imprescindível à constituição do sujeito; o outro, possibilidade de representação de afetos e sustentação da existência. Abordaremos, de início, o conceito de trauma a partir de observações clínicas; depois, a arte no contexto do trauma, ilustrada com histórias de pessoas marcadas pelo sofrimento e criatividade. Na sequência, a arte na (e da) palavra, baseada em circunstâncias de ressignificação da experiência traumática, com aporte da arte cinematográfica e teatral, da narrativa mitológica, do relato de caso notório e de fragmento clínico. Por último, a arte da fala escrita, citando-se autores voltados para a qualidade do texto do ponto de vista estético e emocional, cuja escritura, como arte, inscreve-se no corpo. Esperamos contribuir com a discussão acadêmica e a prática clínica.

Palavras-chave


trauma; arte; palavra; sentido.

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DOI: https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v20i2.e8691

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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