A (In)Visibilidade do Graffiti e da Pichação: Subjetivando Juventudes?

Autores

  • Andressa Sauzem Mayer
  • Lucas Motta Brum
  • Samara Silva dos Santos

DOI:

https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v19i1.e8845

Palavras-chave:

juventude, arte urbana, subjetividade, ato infracional, risco

Resumo

Esse trabalho tem como objetivo compreender o significado do graffiti e da pichação para os jovens transgressores, assim como as motivações, sentimentos e relações sociais implícitas nessas práticas. Fizeram parte deste estudo seis jovens em conflito com a lei, que possuíam envolvimento com pichação numa cidade no interior do estado do Rio Grande do Sul. Os critérios de seleção para a participação neste estudo foram: possuir envolvimento com pichação ou graffiti, ter idade entre 15 a 29 anos. Como instrumento para a coleta de dados, foi utilizada uma entrevista com roteiro semiestruturado, que abordou os seguintes tópicos: dados sociodemográficos, informações sobre as vivências relacionadas ao envolvimento com graffiti e pichação, e os significados atribuídos a essa infração. Os dados obtidos com as entrevistas foram analisados qualitativamente. As informações foram organizadas em duas categorias temáticas: “Adrenalina e Visibilidade” e “Expressão e Subjetividade”. Os resultados evidenciaram questões relacionadas à necessidade dos jovens de se expressar e se comunicar, enquanto sujeitos, ressaltando a importância de compreender por quais espaços circulam, que lugar ocupam no contemporâneo e o que querem por meio dessas intervenções. Por fim, destaca-se a forma com que a juventude tem se relacionado com o risco e como tem sido tratada no contemporâneo, em meio a espaços restritos e limitados, em que a marginalização e a criminalização dessas manifestações sociais se fazem presentes. Desse modo, ressaltam-se as potencialidades do graffiti e da pichação enquanto poder criativo, transformador e subjetivador para além da transgressão.

Biografia do Autor

Andressa Sauzem Mayer

Psicológa, mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Maria. Pós-graduanda em Clínica Psicanalítica pela Universidade Luterana do Brasil.

Lucas Motta Brum

Psicólogo formado pelo Centro Universitário Franciscano. Mestre em Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria.

Samara Silva dos Santos

Professora adjunta do Curso de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da
Universidade Federal de Santa Maria

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Publicado

08.05.2019

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Relatos de Pesquisa

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