Trabalhar e Adoecer: Temporalização de Trabalhadores(as) da Agroindústria

Andréa Luiza da Silveira, Álvaro Roberto Crespo Merlo

Resumo


Por meio da compreensão da relação entre o processo de trabalho e o projeto de ser trabalhador(a), discriminamos três dimensões da temporalização de trabalhadores(as) de uma unidade frigorífica do Oeste catarinense que adoeceram pelo trabalho. As investigações foram realizadas utilizando-se de entrevistas narrativas com trabalhadores(as) e sindicalistas. Como resultados parciais desta pesquisa, encontramos três dimensões da experiência que incidem na temporalização ou personalização, quais sejam: trabalhar com dor, sofrer e trabalhar, e antes e depois do adoecimento. A partir da experiência dos trabalhadores ressaltamos que trabalhar com dor implica numa mudança da corporeidade e na temporalização em que o adoecimento pelo trabalho se torna o projeto de ser trabalhador(a).

Palavras-chave


saúde do trabalhador; trabalho; subjetividade.

Texto completo:

PDF/A

Referências


Antunes, R. (2004). A dialética do trabalho: Escritos de Marx e Engels. São Paulo: Expressão Popular.

Antunes, R., & Praun, L. (2015). A sociedade dos adoecimentos no trabalho. Serviço Social e Sociedade, 123(3), 407-427. doi: 10.1590/0101-6628.030

Bauer, M. W., & Gaskell, G. (2013). Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: Um manual prático. Petrópolis, RJ: Editora Vozes.

Bendassolli, P. F., & Soboll, L. A. (2011). Clínicas do trabalho no Brasil: Novas perspectivas para a compreensão do trabalho na atualidade. São Paulo: Editora Atlas.

Benjamin, W. (2012). Magia e técnica, arte e política: Ensaios sobre literatura e história da cultura (8a Ed). São Paulo: Brasiliense.

Bouyer, G. C. (2010). Contribuição da psicodinâmica do trabalho para o debate “O mundo contemporâneo do trabalho e a saúde mental do trabalhador”. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 35(122), 249-259. doi:10.1590/S0303-76572010000200007

Canguilhem, G. (2001). Meio e normas do homem no trabalho. Pro-posições, 12(2-3), 109-121. Recuperado de https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/download/8643999/11448

Conte, B. S. (2014). Testemunho: Reparação do trauma é possível? In Sigmund Freud Associação Psicanalítica (Org.), Clínicas do testemunho: Reparação psíquica e construção de memórias (pp. 83-92). Porto Alegre: Criação Humana.

Dejours, C. (1986). Por um novo conceito de saúde. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 14(54), 7-11. doi: 10.1590/S0103-65132004000300004

Dejours, C. (1999). Conferências brasileiras: Identidade, reconhecimento e transgressão no trabalho. São Paulo: Fundap; EAESP/FGV.

Dejours, C. (2004a). Da psicopatologia à psicodinâmica do trabalho. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; Brasília: Paralelo 15.

Dejours, C. (2004b). Subjetividade, trabalho e ação. Revista Produção, 14(3), 27-34.

Dejours, C., Abdoucheli, E., Jayet, C., & Betiol, M. I. S. (1994). Psicodinâmica do trabalho: Contribuições da escola dejouriana à análise da relação prazer, sofrimento e trabalho. São Paulo: Atlas.

Escola Nacional da Inspeção do Trabalho [ENIT] (2018). Norma Regulamentadora do Trabalho nº 36. Recuperado de https://enit.trabalho.gov.br/portal/images/Arquivos_SST/SST_NR/NR-36.pdf

Espíndola, C. J. (1999). As agroindústrias no Brasil: O caso Sadia. Chapecó: Editora Argos.

Espíndola, M. A. (2014). Trajetória do Grupo Perdigão. In F. Ikedo & R. Ruiz (Orgs.), Trabalhar e adoecer na agroindústria: Da reabilitação profissional à construção da Norma Regulamentadora dos Frigoríficos (NR 36). (pp.41-60). Florianópolis: Insular.

Finkler, A. L., & Murofuse, N. T. (2009). Problemas de saúde dos trabalhadores e a relação com o processo de trabalho em frigoríficos. In Anais da 3ª Mostra de Trabalhos em Saúde Pública de Cascável (pp. 1-16). Cascável, SC: Unioeste.

Fontes, V. (2010). O Brasil e capital-imperialismo: Teoria e história. Rio de Janeiro: EPSJV/Editora UFRJ.

Gagnebin, J. M. (2013). História e narração em Walter Benjamin. São Paulo: Perspectiva.

Garbin, A. C., Neves, I. R., & Batista, R. M. (1998). Etiologia do senso comum: As lesões por esforços repetitivos na visão dos portadores. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, 1(1), 43-55.

Gaulejac, V. (2007). Gestão como doença social: Ideologia, poder gerencialista e fragmentação social. São Paulo: Ideias e Letras.

Gaulejac, V. (2014). A neurose de classe: Trajetória social e conflitos de identidade. São Paulo: Via Lettera.

Gomez, C. M. (2011). Campo da saúde do trabalhador: Trajetória, configuração e transformações. In C. M. Gomez, J. M. H. Machado & P. G. L. Pena (Orgs.), Saúde do trabalhador na sociedade brasileira contemporânea (pp. 23-34). Rio de Janeiro: Editora Fiocruz.

Hirigoyen, M. F. (2012). Assédio moral: A violência perversa do cotidiano. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.

Laing, R. D., & Cooper, D. G. (1982). Razão e violência: Uma década da filosofia de Sartre (1950-1960). Petrópolis, RJ: Editora Vozes.

Merleau-Ponty, M. (2006). Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes.

Ministério da Saúde do Brasil [MS] (2012). Dor relacionada ao trabalho: Lesões por Esforços Repetitivos (LER), Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort). Recuperado de http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/dor_relacionada_trabalho_ler_dort.pdf

Neli, M. A. (2013). Reestruturação produtiva e saúde do trabalhador na indústria avícola no Brasil: O caso dos trabalhadores de uma unidade produtiva de carne e processamento de aves. In R. Antunes (Org.), Riqueza e miséria do trabalho no Brasil II (p. 287-304). São Paulo: Boitempo.

Paula, A. P. P. (2002). Tragtenberg revisitado: As inexoráveis harmonias administrativas e a burocracia flexível. Revista de Administração Pública, 36(1), 127-144.

Ribeiro, H. P. (1999). A violência oculta do trabalho: As lesões por esforços repetitivos. Rio de Janeiro: Fiocruz.

Santos, M. A. (2011). O sofrimento dos trabalhadores da agroindústria Sadia S.A de Chapecó. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.

Sardá, S. E., Ruiz, R. C., & Kirtschig, G. (2009). Tutela jurídica da saúde dos empregados de frigoríficos: Considerações dos serviços públicos. Acta Fisiátrica, 16(2), 59-65.

Sartre, J. P. (2002). Crítica da razão dialética. Rio de Janeiro: Ed. DpeA.

Sartre, J. P. (2013). O idiota da família: Gustave Flaubert de 1821 a 1857. Porto Alegre: Ed. LePM.

Sartre, J. P. (2015). O que é a subjetividade? Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.

Schveitzer, F. C. (2014). Trabalhadores com restrições laborais: Comitê de acompanhamento em empresa pública. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, 12(1), 43-49.

Steffen, R. M. M., & Becker, A. F. (2014). Clandestinidade e sobrevivência psíquica. In Sigmund Freud Associação Psicanalítica (Org.), Clínicas do testemunho: Reparação psíquica e construção de memórias (pp. 83-92). Porto Alegre: Criação Humana.

Weller, W., & Zardo, S. P. (2013). Entrevista narrativa com especialistas: Aportes metodológicos e exemplificação. Revista da FAEEBA: Educação e Contemporaneidade, 22(40), 131-143.




DOI: http://dx.doi.org/10.5020/23590777.rs.v19i3.e9131

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM


Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia