A ARTE DE HÉLIO OITICICA COMO EXPERIÊNCIA DE ÓCIO ESTÉTICO

Renata Mota Barbosa, Marta Sorelia Felix de Castro, Eliane Vasconcelos Diógenes, Jose Clerton de Oliveira Martins

Resumo


Na sociedade contemporânea, o imediatismo impõe ao sujeito a urgência de sempre ocupar seu tempo com alguma atividade produtiva. Pela possibilidade de romper com esse automatismo, somos instigados a investigar a potência da arte de Hélio Oiticica como experiência de ócio estético, noção desenvolvida por Arroyabe (Arroyabe, 2009; Arroyabe & Cuenca Amigo, 2016). Realizamos o estudo teórico exploratório e a pesquisa etnográfica na exposição “Hélio Oiticica – estrutura, corpo, cor”, de 2016. Da proposta de arte de Oiticica, destacamos o conceito de suprassensorial e de crelazer. A arte de Oiticica focaliza principalmente a experiência de interação do sujeito com a obra; desse modo, ele rompe com o dualismo obra-público ao convocar o sujeito a se tornar um participador. A obra só se torna obra a partir dessa experiência de interação. O suprassensorial consiste no processo de o sujeito sentir novas percepções, sensações, a partir do seu contato com a arte. Pelo conceito de crelazer, Oiticica convida o participador a mergulhar em um campo de recriação da obra e de sua própria existência a partir de um tempo de lazer, um tempo apropriado pelo participador, descondicionado, fora das obrigações. Ora, essas condições também fundamentam a experiência de ócio estético, que emerge exatamente da relação do sujeito com a arte, pela qual ele é provocado a reinventar seu próprio modo de existência. A experiência de ócio estético potencializa o sujeito de forma que ele se torna criador do seu tempo, do seu espaço, da sua abertura ao desconhecido. Ao incorporar o papel autoral dessa experiência, o sujeito vivencia um momento especial no meio do tempo veloz da contemporaneidade. A arte de Hélio Oiticica como experiência de ócio estético pretende afetar a experiência de vida do participador, atingir o âmago da sua existência, tornando-o, assim, mais autônomo, singular, audacioso.


Palavras-chave


arte, Hélio Oiticica, experiência, ócio estético

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DOI: https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i1.e9174

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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