A Arte de Hélio Oiticica como Experiência de Ócio Estético

Autores

  • Renata Mota Barbosa Universidade de Fortaleza https://orcid.org/0000-0002-2442-548X
  • Eliane Vasconcelos Diógenes Universidade de Fortaleza
  • Marta Sorelia Felix de Castro Universidade Federal do Ceará
  • Jose Clerton de Oliveira Martins Universidade de Fortaleza

DOI:

https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i1.e9174

Palavras-chave:

arte, Hélio Oiticica, experiência, ócio.

Resumo

Na sociedade contemporânea, o imediatismo impõe ao sujeito a urgência de ocupar seu tempo com alguma atividade produtiva. Pela possibilidade de romper com esse automatismo, somos instigados a investigar a potência da arte como experiência de ócio estético. Assim, realizamos um estudo teórico exploratório aliado a uma pesquisa etnográfica na exposição Hélio Oiticica – estrutura, corpo, cor, de 2016, da Universidade de Fortaleza. Do resultado da observação participante realizada na exposição, destacamos dois conceitos utilizados pelo artista, os quais foram vitais para nosso intento: suprassensorial e crelazer. A partir disso, encontramos que a arte de Oiticica focaliza a experiência de interação do sujeito com a obra. Desse modo, rompe com o dualismo obra-público ao convocar o sujeito a se tornar um participador. Assim, inferimos que a obra só se torna obra a partir dessa experiência de interação. O suprassensorial consiste no processo de o sujeito sentir novas percepções, sensações, a partir do seu contato com a arte e na proposta do crelazer, Oiticica convida o participador a mergulhar em um campo de recriação da obra e de sua própria existência a partir da presença do participador, descondicionado. Tal condição fundamenta a proposta do termo “experiência de ócio estético”, que emerge da relação do sujeito com a arte, convocando-o à própria ressignificação na experiência. Consideramos que tais vivências transformadoras potencializam o sujeito, de forma que ele se torna criador do seu tempo, do seu espaço, ao abrir-se ao novo, pois, ao incorporar o papel autoral dessa experiência, poderá presentear-se com um momento especial no meio do tempo veloz da contemporaneidade. A partir do percurso investigativo, somos levados a crer que a arte de Oiticica, como experiência propiciada pelos sentidos, pretende afetar a experiência de vida do participador, abrindo chance ao rompimento com a aceleração e novas autonomias.

Biografia do Autor

Renata Mota Barbosa, Universidade de Fortaleza

Mestranda em Psicologia pela Universidade de Fortaleza. Membro do OTIUM/Grupo de Estudos Multidisciplinares sobre Ócio e Tempo Livre do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade de Fortaleza.

Eliane Vasconcelos Diógenes, Universidade de Fortaleza

Doutora e mestra em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professora dos cursos de Psicologia e Cinema e Audiovisual da Universidade de Fortaleza (Unifor).

Marta Sorelia Felix de Castro, Universidade Federal do Ceará

Doutoranda em Psicologia (PPG-Psi Unifor). Mestre em Políticas Pública e Gestão da Educação Superior - UFC. Professora Assistente da Universidade Federal do Ceará no curso de Design de Moda - Instituo de Cultura e Arte (ICA).

Jose Clerton de Oliveira Martins, Universidade de Fortaleza

Professor titular do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Unversidade de Fortaleza - Unifor. Doutor em Psicologia pela Universitat de Barcelona. Pós-doutorado em Estudos sobre Ócio e Desenvolvimento Humano na Universidad de Deusto.

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Publicado

16.03.2021

Como Citar

Barbosa, R. M., Diógenes, E. V., Castro, M. S. F. de, & de Oliveira Martins, J. C. (2021). A Arte de Hélio Oiticica como Experiência de Ócio Estético. Revista Subjetividades, 21(1), Publicado online: 29/04/2021. https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i1.e9174

Edição

Seção

Relatos de Experiências