Atos na Adolescência: Uma Resposta diante da Angústia e do Desamparo

Vládia Jamile dos Santos Jucá, Ângela Maria Resende Vorcaro

Resumo


O presente artigo discute, a partir de dois casos clínicos, o acting out e a passagem ao ato como respostas diante da angústia. Objetiva-se trazer à tona outras possibilidades de entendimento para os atos inscritos nas trajetórias das jovens, demonstrando ser a construção de casos uma ferramenta imprescindível para a ampliação das reflexões teóricas, sobretudo quando se trata de adolescentes. O trabalho clínico relatado no artigo é fruto de um projeto de extensão e pesquisa desenvolvido em um Centro de Atenção Psicossocial à Infância e à Adolescência em Salvador. Foram atendidas adolescentes para quem o Outro primordial foi inconstante e apresentou-se em franca ambivalência. Jovens marcadas por um intenso sofrimento psíquico, construído e agudizado pela constante violação de direitos, com o agravo da fragilidade assistencial das instituições responsáveis pela proteção social e pelo cuidado. Como horizonte ético e teórico, a psicanálise lacaniana serviu de referência, em diálogo com as políticas públicas destinadas à infância e à adolescência. A partir do trabalho realizado, observou-se que os atos dos adolescentes funcionam ora como apelos dirigidos a seus cuidadores para que afirmem o valor de suas vidas, ora como tentativa de inaugurar outra história para si, mesmo através das repetições dos atos que as lançavam, paradoxalmente, na direção das identificações produtoras de mortificação. O manejo dos casos trouxe desafios importantes como o de sustentar o valor da palavra dos adolescentes, enquanto subjetividades em constituição, sem deles demandar explicitamente a interrupção dos comportamentos apresentados.

Palavras-chave


adolescência; psicanálise; atos; desamparo; CAPSi.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5020/23590777.rs.v20i1.e9359

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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