Ser Adolescente com Transtorno de Aprendizagem: Um Olhar da Fenomenologia de Merleau-Ponty

Roxanne Pucci de Mesquita Ibiapina, João Marcos de Araújo Leite, Anna Karynne Melo

Resumo


A adolescência é considerada como uma fase de descobertas, marcada por inúmeras mudanças, e a literatura a apresenta como uma passagem da infância para a vida adulta. Os adolescentes com transtornos de aprendizagem vivenciam essa fase com medos e angústias devido aos limites que são impostos pelo transtorno. Neste estudo, objetivou-se compreender a experiência vivida de ser adolescente com diagnóstico de transtorno de aprendizagem sob a ótica da fenomenologia de Merleau-Ponty. Foi utilizado o método fenomenológico crítico para acessar a experiência vivida de adolescentes de 11 a 17 anos que participam de grupos de psicopedagogia num núcleo de atendimento integrado localizado na cidade de Fortaleza. A partir das falas dos adolescentes, foram elencadas cinco categorias: a relação do adolescente com o transtorno e suas limitações; a relação do adolescente com seu meio social; a dificuldade do adolescente em lidar com seu processo de adolescer; os sentimentos do adolescente diante de sua diferença; e a relação dos adolescentes com as exigências do cotidiano. Compreendeu-se que a experiência de ser adolescente com o transtorno é perpassada por sofrimento, uma vez que há diversos significados atribuídos como a vergonha e o sentimento de inutilidade. Considera-se que os adolescentes se encontram em um contexto no qual são destituídos e desresponsabilizados de sua própria experiência, sendo ela sempre considerada a partir de um discurso alheio por conta de uma infantilização exacerbada que, muitas vezes, é atribuída ao transtorno pelos pais e cuidadores.

Palavras-chave


adolescentes. transtorno de aprendizagem. fenomenologia. mundo vivido.

Texto completo:

PDF/A

Referências


Bignotto, M. M. (2014). O bullying. In M. Lipp (Org.), O adolescente e seus dilemas: Orientação para pais e educadores (pp. 109-124). Campinas, SP: Papirus.

Bloc, L. & Moreira, V. (2016). O normal, o patológico e a cultura. In A. Tatossian, L. Bloc, & V. Moreira, Psicopatologia fenomenológica revisitada (pp. 161-174). São Paulo: Escuta.

Bloc, L., & Moreira, V. (2013). Condições para a mudança psicoterapêutica e intervenções fenomenológicas: Reflexões a partir do caso Fátima. In V. Moreira (Org.), Revisitando as psicoterapias humanistas (pp. 49-60). São Paulo, SP: Intermeios.

Crestani, I. A. (2016). Adolescência: Tentando compreender o que é difícil entender. Porto Alegre, RS: EDIPUCRS.

Creswell, J. W. (2010). Projeto de pesquisa: Métodos qualitativo, quantitativo e mistos. Porto Alegre: Artmed.

Diniz, M. M. F. (2013). Dificuldades de aprendizagem: análise conceitual. In C. A. S. M. Minervino, & J. N. Nóbrega (Orgs.), Aprendizagem e emoção: Estudos na infância e da adolescência (pp. 93-114). São Paulo, SP: Casa do Psicólogo.

Fletcher, J. M., Lyon, G. R., Fuchs, L. S., & Barnes, M. A. (2018). Learning disabilities: From identification to intervention. Nova Iorque: Guilford Publications.

Frota, A. M. M. C. (2007). Diferentes concepções da infância e adolescência: A sua importância da historicidade para sua construção. Estudos e Pesquisas em Psicologia, 7(1), 144-157.

Justos, A. P. (2014). O desafio da escolha profissional. In M. Lipp (Org.), O adolescente e seus dilemas: Orientação para pais e educadores (pp. 235-252). Campinas, SP: Papirus.

Maes, M., Nelemans, S. A., Danneel, S., Fernández-Castilla, B., Van den Noortgate, W., Goossens, L., & Vanhalst, J. (2019). Loneliness and social anxiety across childhood and adolescence: Multilevel meta-analyses of cross-sectional and longitudinal associations. Developmental psychology, 55(7), 1548-1565.

Melo, A. K. S., & Moreira, V. (2008). Fenomenologia da queixa depressiva em adolescentes: Um estudo crítico-cultural. Aletheia, 27(1), 51-64.

Merleau-Ponty, M. (2006). Fenomenologia da percepção (3ª ed.). São Paulo: Martins Fontes. (Originalmente publicado em 1945)

Moreira, V. (2004). O método fenomenológico de Merleau-Ponty como ferramenta crítica na pesquisa em psicopatologia. Psicologia: Reflexão e Crítica, 17(3), 447-456.

Moreira, V. (2009). Clínica humanista-fenomenológica: estudos em psicoterapia e psicopatologia crítica. Annablume.

Ohlweiler, L. (2016). Introdução aos transtornos da aprendizagem. In N. T. Rotta, L. Ohlweiler, & R. S. Risgo (Orgs.), Transtornos de aprendizagem: Abordagem neurobiológica e multidisciplinar (2ª ed., pp. 107-111). Porto Alegre, RS: Artmed.

Peixoto, P., Tinoco, D., Erthal, A. & Luquetti, E. (2019). A dislexia no processo de ensino e aprendizagem da leitura e escrita: Considerações sobre a prática educacional. Revista Philologus, 25(73), 44-62.

Tricoli, V. A. C. (2014). O stress emocional e seus efeitos. In M. Lipp (Org.), O adolescente e seus dilemas: Orientação para pais e educadores (pp. 157-177). Campinas, SP: Papirus.

World Health Organization [WHO]. (2019). ICD-11 - Mortality and Morbidity Statistics. Genebra: WHO. Link




DOI: https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21iEsp1.e9376

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Compartilhar igual 4.0 Internacional.

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

Desenvolvido por:

Logomarca da Lepidus Tecnologia