A Relação Transferencial em Ferenczi e Balint: Construindo o Lugar do Analista

Ludmilla Tassano Pitrowsky, Sergio Gomes da Silva, Simone Perelson

Resumo


O presente artigo propõe traçar uma linha de continuidade entre as ideias de Sándor Ferenczi e Michael Balint a respeito do vínculo analítico. O conceito de transferência, tal qual formulado por Freud, teria sofrido uma modificação em sua possibilidade de entendimento nos casos não neuróticos, chamados de narcísico-identitários ou borderline. Nesse sentido, estudamos a questão do vínculo analítico em autores que priorizaram a construção de uma clínica que abarcasse tais casos, como Ferenczi e Balint. A proposta clínica desses autores inclui, no processo analítico do paciente, a contratransferência, e mais, o psiquismo do analista em sua parte mais inconsciente. Em virtude disso, ressaltaram as dificuldades e desafios que essa clínica implica, denunciando a exigência de uma análise profunda do analista para o atendimento desses casos. A inclusão, portanto, do psiquismo do analista no setting implicaria um entendimento intersubjetivo do enquadre, produzindo uma nova maneira de enxergar a relação analítica e, consequentemente, a técnica.

Palavras-chave


transferência; psicanálise; casos-limite; analista; setting.

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DOI: https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v20i3.e9594

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Revista Subjetividades, Fortaleza - Ceará- Brasil – E-ISSN: 2359-0777

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